"Feelings"
"Quem ama todos ou peças de ficção não ama ninguém; quem odeia uma só pessoa é capaz de odiar a todos"
(será?)
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Umas e Outras
De A. Kuprin, biógrafo de Anton Tchekhov (1860-1904)
".... tratava-se da saudade de uma alma extremamente delicada, generosa
e sensível, que os horrores do nosso dia-a-dia -- a vulgaridade,
a grosseria, o tédio, a ociosidade, a violência e a selvajeria -- faziam
sofrer indizivelmente....."
(até parece o Brasil de hoje, ou estou
equivocado?)
".... tratava-se da saudade de uma alma extremamente delicada, generosa
e sensível, que os horrores do nosso dia-a-dia -- a vulgaridade,
a grosseria, o tédio, a ociosidade, a violência e a selvajeria -- faziam
sofrer indizivelmente....."
(até parece o Brasil de hoje, ou estou
equivocado?)
sábado, 27 de dezembro de 2008
Umas e Outras
"Um artista tem sorte quando suas realizações coincidem exatamente com as
suas limitações"
Henry james
"O terrorismo não é o inimigo dos grandes sistemas, ao contrário, é sua
contrapartida material, aceita e prevista"
Umberto Eco
suas limitações"
Henry james
"O terrorismo não é o inimigo dos grandes sistemas, ao contrário, é sua
contrapartida material, aceita e prevista"
Umberto Eco
sábado, 20 de dezembro de 2008
Umas e Outras
"Quero ficar de banda,
Sentado à mesa de um bar,
Tomando o meu whisquinho e
Vendo o tempo passar"
von Bruder
Sentado à mesa de um bar,
Tomando o meu whisquinho e
Vendo o tempo passar"
von Bruder
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Umas e Outras
-- "Não é em terra que se fazem bons marinheiros, se não no oceano, enfrentando tempestades"
Machado de Assis
-- "Without work all life goes rotten; but when work is souless, life stifles and dies"
Albert Camus
-- "Estar a serviço de uma boa causa é aceitável e até mesmo luvável; estar a serviço de outra pessoa se apresenta mais duvidoso e ser escravo de alguém merece o mais violento repúdio"
Paulo Novais
Machado de Assis
-- "Without work all life goes rotten; but when work is souless, life stifles and dies"
Albert Camus
-- "Estar a serviço de uma boa causa é aceitável e até mesmo luvável; estar a serviço de outra pessoa se apresenta mais duvidoso e ser escravo de alguém merece o mais violento repúdio"
Paulo Novais
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Umas e Outras
"A maior coisa do mundo é saber ser para si mesmo"
Montaigne
Ode aos velhos:
"O nariz cresce
A orelha cresce
O resto desce "
Montaigne
Ode aos velhos:
"O nariz cresce
A orelha cresce
O resto desce "
Umas e Outras
Delfim Netto já afirmou e agora, num artigo na revista VEJA (n. 48), o também ex-ministro Mailson da Nóbrega confirma: "Fomos salvos da crise graças à intuição de presidente Lula" Pode ? Na melhor das hipoteses essas duas viboras estão sacaneando o Lula, afinal tirando a intuição não sobra nada, ou tem muita linguiça debaixo do angu.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Umas e Outras
-- Dedicada a Lacan e seus discípulos: "Aquele que sabe profundo esforça-se para ser claro, enquanto aquele que gostaria de 'parecer' profundo esforça-se para ser obscuro".
F. Nietzsche
F. Nietzsche
sábado, 13 de dezembro de 2008
Se.......Rudyard Kipling
Se puderes manter a calma quando todos em redor
Estiverem perdendo-a e porisso te culparem,
Se tiveres confiança quando todos de ti duvidarem
Mas permitires no entanto que assim procedam,
Se puderes esperar sem porisso te cansares,
Em sendo alvo de mentiras da mentira não usares,
Ou se odiado, o caminho do ódio não trilhares,
E, ainda assim, não te fizeres bom moço nem deitares a cabeça.
Se puderes sonhar -- e do sonho não fizeres teu senhor;
Se puderes pensar -- e da idéia não fizeres tua meta;
Se puderes enfrentar o Triunfo e a Derrota;
E tratares igualmente esses dois impostores;
Se suportares ouvir a verdade que disseste
Truncada pelos velhacos como armadilha aos tolos,
Ou contemplares quebradas as coisas a que deste a vida,
E, num supremo esforço puderes refazê-las com velhas ferramentas;
Se puderes empilhar todas as conquistas que fizeste
E, arriscando-as e perdendo-as numa parada
Recomeçares tua luta do mesmo modo que a começaste
Sem jamais articulares uma só palavra contra a sorte;
Se puderes forçar teu coração, nervos e músculos
A te serem úteis, muito depois de estarem exaustos,
E prosseguires quando nada mais houver em ti
Exceto a Vontade que lhes ordena -- "avante !"
Se puderes falar às multidões sem que percas a virtude,
Ou privando com reis -- não perderes o bom senso;
Se inimigos ou amigos não tepuderem fazer mal,
Se todos contarem contigo, mas ninguém em demasia;
Se puderes encher todo minuto inesquecível
Com o valor de sessenta segundos de uma longa corrida,
Tua será a Terra e tudo o que nela existe,
E -- o que é mais -- serás um Homem, meu filho!
Estiverem perdendo-a e porisso te culparem,
Se tiveres confiança quando todos de ti duvidarem
Mas permitires no entanto que assim procedam,
Se puderes esperar sem porisso te cansares,
Em sendo alvo de mentiras da mentira não usares,
Ou se odiado, o caminho do ódio não trilhares,
E, ainda assim, não te fizeres bom moço nem deitares a cabeça.
Se puderes sonhar -- e do sonho não fizeres teu senhor;
Se puderes pensar -- e da idéia não fizeres tua meta;
Se puderes enfrentar o Triunfo e a Derrota;
E tratares igualmente esses dois impostores;
Se suportares ouvir a verdade que disseste
Truncada pelos velhacos como armadilha aos tolos,
Ou contemplares quebradas as coisas a que deste a vida,
E, num supremo esforço puderes refazê-las com velhas ferramentas;
Se puderes empilhar todas as conquistas que fizeste
E, arriscando-as e perdendo-as numa parada
Recomeçares tua luta do mesmo modo que a começaste
Sem jamais articulares uma só palavra contra a sorte;
Se puderes forçar teu coração, nervos e músculos
A te serem úteis, muito depois de estarem exaustos,
E prosseguires quando nada mais houver em ti
Exceto a Vontade que lhes ordena -- "avante !"
Se puderes falar às multidões sem que percas a virtude,
Ou privando com reis -- não perderes o bom senso;
Se inimigos ou amigos não tepuderem fazer mal,
Se todos contarem contigo, mas ninguém em demasia;
Se puderes encher todo minuto inesquecível
Com o valor de sessenta segundos de uma longa corrida,
Tua será a Terra e tudo o que nela existe,
E -- o que é mais -- serás um Homem, meu filho!
sábado, 22 de novembro de 2008
Carlos Felipe Requião - "flash" biográfico
O nosso herói é lusoteutodescendente, nasceu en Curitiba-PR no dia 5 de outubro de 1933, filho de Ivo (Keinert) Requião e Érica (Braun) Requião. Viveu toda a infância e adolescência no Rio de Janeiro, bairro de Copacabana e adjacentes, daí seu fascínio pelo mar e tudo o que a ele se refere. Terminou o curso primário no Colégio Mello e Souza, o ginasial no Pedro II (exames - art. 91), o científico no Colégio Guanabara e graduou-se Psicólogo Industrial na PUC-RJ, turma de 1962.
Começou a trabalhar muito cedo, ensaiou vários caminhos, somente depois de formado dedidicou-se integralmente ao ensino (é professor titular de Psicologia Industrial/Organizacional) e ao exercícoio de sua profissão. Prestou serviços em organizações de médio e grande porte, na condição de assistente, assessor,consultor, professor, perito ou gerente. Destaca de sua vivência profissional quatro missões no exterior, contratado pela OIT e pela ONUDI: participação no desenho e execução de projetos de assistência e cooperação técnica visando, primordialmente, a qualificação e o desenvolvimento de recursos humanos no Equador, Panamá, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Muito cedo despertou para a leitura e os livros, recebeu forte influência e estímulo de sua mãe e de seu avô materno. Escrever também faz parte de seus hábitos diários. Tem preferência por contos ("short stories"), arrisca artigos, crônicas, versos e frases, quase sempre em tons provocativos. A música está presente em sua vida, como elemento essencial e indispensável, em momentos muito especiais a lírica é a fonte de todo o seu encantamento.
Dispensa a religião mas respeita as pessoas e suas convicções, independente das opções religiosas de cada um. Costuma, no entanto, ser cáustico com as instituições -- tupiniquins e multinacionais -- que exploram a crendice dos menos esclarecidos, a fragilidade dos aflitos, destróem culturas nativas e criminosamente enriquecem seus gestores/líderes espitiruais e apaniguados. Abomina os sanguinários cultos que sacrificam animais.
Cumpriu o serviço militar na Aeronáutica, Base Aérea de Cumbica e depois o Quartel General da Quarta Zona Aérea. S2 QIG FI 53 40 01 092 Requião Cia. de Polícia Militar. Nesse período e como soldado raso sofreu todos os embaraços imagináveis, tanto no recrutamento como nos serviços de guarda e nas patrulhas, não aprendeu a mandar, muito menos a obedecer. Gravou em sua experiência de vida o sentido do companheirismo, da solidariedade, respeito aos símbolos nacionais e o que significa a segurança do país em tempos de paz e de conflitos. Valeu.
Envolveu-se em campanhas eleitorais e manifestações políticas ainda menino, mas só teve a correta e clara percepção dos movimentos ideológicos quando ingressou na universidade. Foi eleito suas vezes representante de turma, elegeu-se vice-presidente do Centro Acadêmico dos alunos do Departamento de Psicologia, desativado em abril de 1964. Hoje faz parte dos perplexos e indignados com a conduta dos políticos em quem acreditaram e ajudaram a eleger, das chamadas esquerdas, que assumiram o poder e em nome do pragmatismo -- leia fisiologismo, cooptação, alienação dos aspectos éticos, .......-- têm a desfaçatez de ignorar a memória de figuras notáveis como Caio Prado Jr., Osny Duarte Pereira, Nelson Werneck Sodré, Florestan Fernandes, Octavio Ianni e tantos outros que se desdobraram e se expuseram para, direta ou indiretamente, forjar ideologicamente o PT, além dos que no curso recente de nossa história derramaram o seu sangue para a redemocratização do país.
Torcedor do Botafogo, treinou natação na piscina do Mourisco, em sua transição para a adolescência; atletismo no Clube Pinheiros e boxe no Atlas Clube (José Lopes), quando morou em São Paulo. Beque central -- muito ruim -- do Copajunior Praia Clube, por indiscplina e insonstância jamais conseguiu tornar-se atleta competitivo. No mar aberto, enfrentando ressacas e salvando vítimas de afogamento, encontrou a sua praia e passou os "anos dourados" de sua vida. Tem paixão por veleiros e motocicletas, seu avô Braun foi um dos pioneiros do motociclismo no Paraná, década de 20; são raros os primos do lado alemão que não tiveram uma.
O nosso herói casou-se duas vezes, tem dois filhos do primeiro casamento e três netos. Vive há quase 8 anos no interior da Fazenda Itaúna -- distrito rural da cidade de Itu-SP -, na companhia de quatro cachorros, livros e cd's. Sonha um dia voltar para o Estado do Rio mas neste momento não troca a qualidade de sua vida pelas delícias da vida urbana, de qualquer megalópolis. É só, por enquanto. cf-requiao@bol. com.br
Itu, 22 de novembro de 2008
Começou a trabalhar muito cedo, ensaiou vários caminhos, somente depois de formado dedidicou-se integralmente ao ensino (é professor titular de Psicologia Industrial/Organizacional) e ao exercícoio de sua profissão. Prestou serviços em organizações de médio e grande porte, na condição de assistente, assessor,consultor, professor, perito ou gerente. Destaca de sua vivência profissional quatro missões no exterior, contratado pela OIT e pela ONUDI: participação no desenho e execução de projetos de assistência e cooperação técnica visando, primordialmente, a qualificação e o desenvolvimento de recursos humanos no Equador, Panamá, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Muito cedo despertou para a leitura e os livros, recebeu forte influência e estímulo de sua mãe e de seu avô materno. Escrever também faz parte de seus hábitos diários. Tem preferência por contos ("short stories"), arrisca artigos, crônicas, versos e frases, quase sempre em tons provocativos. A música está presente em sua vida, como elemento essencial e indispensável, em momentos muito especiais a lírica é a fonte de todo o seu encantamento.
Dispensa a religião mas respeita as pessoas e suas convicções, independente das opções religiosas de cada um. Costuma, no entanto, ser cáustico com as instituições -- tupiniquins e multinacionais -- que exploram a crendice dos menos esclarecidos, a fragilidade dos aflitos, destróem culturas nativas e criminosamente enriquecem seus gestores/líderes espitiruais e apaniguados. Abomina os sanguinários cultos que sacrificam animais.
Cumpriu o serviço militar na Aeronáutica, Base Aérea de Cumbica e depois o Quartel General da Quarta Zona Aérea. S2 QIG FI 53 40 01 092 Requião Cia. de Polícia Militar. Nesse período e como soldado raso sofreu todos os embaraços imagináveis, tanto no recrutamento como nos serviços de guarda e nas patrulhas, não aprendeu a mandar, muito menos a obedecer. Gravou em sua experiência de vida o sentido do companheirismo, da solidariedade, respeito aos símbolos nacionais e o que significa a segurança do país em tempos de paz e de conflitos. Valeu.
Envolveu-se em campanhas eleitorais e manifestações políticas ainda menino, mas só teve a correta e clara percepção dos movimentos ideológicos quando ingressou na universidade. Foi eleito suas vezes representante de turma, elegeu-se vice-presidente do Centro Acadêmico dos alunos do Departamento de Psicologia, desativado em abril de 1964. Hoje faz parte dos perplexos e indignados com a conduta dos políticos em quem acreditaram e ajudaram a eleger, das chamadas esquerdas, que assumiram o poder e em nome do pragmatismo -- leia fisiologismo, cooptação, alienação dos aspectos éticos, .......-- têm a desfaçatez de ignorar a memória de figuras notáveis como Caio Prado Jr., Osny Duarte Pereira, Nelson Werneck Sodré, Florestan Fernandes, Octavio Ianni e tantos outros que se desdobraram e se expuseram para, direta ou indiretamente, forjar ideologicamente o PT, além dos que no curso recente de nossa história derramaram o seu sangue para a redemocratização do país.
Torcedor do Botafogo, treinou natação na piscina do Mourisco, em sua transição para a adolescência; atletismo no Clube Pinheiros e boxe no Atlas Clube (José Lopes), quando morou em São Paulo. Beque central -- muito ruim -- do Copajunior Praia Clube, por indiscplina e insonstância jamais conseguiu tornar-se atleta competitivo. No mar aberto, enfrentando ressacas e salvando vítimas de afogamento, encontrou a sua praia e passou os "anos dourados" de sua vida. Tem paixão por veleiros e motocicletas, seu avô Braun foi um dos pioneiros do motociclismo no Paraná, década de 20; são raros os primos do lado alemão que não tiveram uma.
O nosso herói casou-se duas vezes, tem dois filhos do primeiro casamento e três netos. Vive há quase 8 anos no interior da Fazenda Itaúna -- distrito rural da cidade de Itu-SP -, na companhia de quatro cachorros, livros e cd's. Sonha um dia voltar para o Estado do Rio mas neste momento não troca a qualidade de sua vida pelas delícias da vida urbana, de qualquer megalópolis. É só, por enquanto. cf-requiao@bol. com.br
Itu, 22 de novembro de 2008
Umas e Outras
-- pérola do pres. Lula, dia 07.03.07, comentando o estrago da Aids
" Sexo é coisa que quase todo mundo gosta"
-- E o Lulinha ?
"Não quero mais ser doutor
Nem bispo que engana crente
Empresário, senador..........mas
Filho do presidente"
-- No espelho vejo um velho, mas com um brilho estranho nos olhos
-- Sobre um próximo casamento:
"Para o amor, gozo, satisfação....e
Em benefício de uma relação estável,
Decido cheio de razão,
Caso com mulher inflável"
-- os crentes sofrem, sobretudo, de preguiça mental
-- Certa vez, querendo agradá~lo, alguém disse ao ator Paulo Autran que
ele, aos 70 anos de idade, tinha a cabeça de um garoto. Polido, mas com
firmeza, Autran respondeu: " Se eu ainda pensasse como um garoto aos
70 anos seria um perfeito imbecil !"
-- "Um rei sem divertimentos é um rei infeliz. Mas todos
seríamos mais felizes se ficássemos quietos em um canto qualquer de
nossos palácios". Pascal
-- "Muitas vezes é preferível revisitar as jóias do passado do que garimpar
as medíocres bijouterias que nos oferece a modernidade tardia". Au-
gusto Frederico Schmidt
" Sexo é coisa que quase todo mundo gosta"
-- E o Lulinha ?
"Não quero mais ser doutor
Nem bispo que engana crente
Empresário, senador..........mas
Filho do presidente"
-- No espelho vejo um velho, mas com um brilho estranho nos olhos
-- Sobre um próximo casamento:
"Para o amor, gozo, satisfação....e
Em benefício de uma relação estável,
Decido cheio de razão,
Caso com mulher inflável"
-- os crentes sofrem, sobretudo, de preguiça mental
-- Certa vez, querendo agradá~lo, alguém disse ao ator Paulo Autran que
ele, aos 70 anos de idade, tinha a cabeça de um garoto. Polido, mas com
firmeza, Autran respondeu: " Se eu ainda pensasse como um garoto aos
70 anos seria um perfeito imbecil !"
-- "Um rei sem divertimentos é um rei infeliz. Mas todos
seríamos mais felizes se ficássemos quietos em um canto qualquer de
nossos palácios". Pascal
-- "Muitas vezes é preferível revisitar as jóias do passado do que garimpar
as medíocres bijouterias que nos oferece a modernidade tardia". Au-
gusto Frederico Schmidt
Umas e Outras
-- sobre meus cachorros:
"Bingo é o velho brigão
Rebeca é toda linda
Zefinha, mais linda ainda
Mesquita, o garotão
"Bingo é o velho brigão
Rebeca é toda linda
Zefinha, mais linda ainda
Mesquita, o garotão
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Qualidade interpessoal: benefício da crise
Este artigo foi publicado num ano turbulento -- Diário de Petrópolis, dia 23 de setembro de 1992 --como pano de fundo para um curso que pretendia lançar na Coordenação de Educação Continuada (braço do Conjunto Universitário Augusto Motta, do Rio de Janeiro). Foi inspirado num programa de "qualidade total" que estava sendo negociado com empresas da região serrana, na realidade um conjunto de iniciativas abordando os aspectos sociais e comportamentais do ambiente organizacional.
Qualidade interpessoal: benefício da crise
O conceito de qualidade empresarial há muito ultrapassou as fronteiras do exame da matéria prima, do acompanhamento da produção, da renovação de métodos, sistemas e do maquinário, da verificação do produto acabado: modernamente esse conceito abrange um conjunto de exigências relacionadas ao ambiente físico de traba lho, o clima organizacional, o nível das relações entre vendedores e clientes, chefes e subordinados mais os companheiros de trabalho, enfim, todas as ações que compõem e envolvem a malha comportamental de qualquer organização formal, de pequeno ou grande porte.
O nível de relacionamento entre as pessoas, portanto, faz parte do critério de êxito das empresas. Isso pode ser detectado quando observamos as preferências do público por determinados estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços. identificando os chefes pela civilidade e simpatia na condução dos seus liderados, na imagem de certas organizações junto ao mercado de trabalho, para citar alguns exemplos.
É evidente, não podemos imaginar as empresas como paraísos celestiais e, como complicador, entendemos que somos todos produto de culturas e influências as mais diversas, vivemos num país gigantesco que tem como denomina dor comum o regime político, o poder centralizado em centros de autoridade, o mesmo idioma e a mesma moeda. Além dessa miscelânea estamos todos -- a grande maioria dos brasileiros --estarrecidos e perplexos, com os nervos à flor da pele, pressionados por circunstâncias e fatos impiedosos de ordem política, social, econômica, financeira, policial, social e, sobretudo, de ausência ética, que condicionam muito mais a agressividade e o deboche que condutas primadas por elegância britânica.
No entanto, as crises passam e nós permanecemos. É necessário tirar partido dessa crise nacional. Apostando no melhor, empresários, trabalhadores organizados, políticos, professores, jornalistas, enfim, todos os que direta ou indiretamente são agentes naturais de mudanças, devem se mobilizar, fazer valer este momento histórico e praticar uma revolução no sentido da melhor qualidade de vida, tendo como instrumento a forma de tratamento en tre as pessoas, para começar.
Nas empresas as ações podem ser conduzidas pelos seus dirigentes, com ou sem a participação de peritos em ciências sociais; é necessário somente o bom senso e a empatia com o próximo, a convicção de que o cafajestismo e a grosseria são práticas perfeitamente dispensáveis, até mesmo no botequim da esquina.
Não é fácil, mas não é impossível. Os processos visando a reformulação das condutas são viáveis quando partem da definição de princípios e são executados de forma disciplinada. Vale dizer que o exemplo, de cima para baixo, garante parte dos bons resultados.
Não podemos evitar, nas ruas, a breguesse, as gesticulações obscenas, o linguajar chulo, verdadeiras agressões aos bons costumes; no entanto, dentro das organizações é possívels não só ditarmos as normas de conduta como parte da cultura organizacional, com o igualmente influenciarmos a população interna para que em outros ambientes e situações os indivíduos conservem a qualidade das suas relações interpessoais, como o tratamento civilizado em sinal de respeito ao outro e à sociedade.
Qualidade interpessoal: benefício da crise
O conceito de qualidade empresarial há muito ultrapassou as fronteiras do exame da matéria prima, do acompanhamento da produção, da renovação de métodos, sistemas e do maquinário, da verificação do produto acabado: modernamente esse conceito abrange um conjunto de exigências relacionadas ao ambiente físico de traba lho, o clima organizacional, o nível das relações entre vendedores e clientes, chefes e subordinados mais os companheiros de trabalho, enfim, todas as ações que compõem e envolvem a malha comportamental de qualquer organização formal, de pequeno ou grande porte.
O nível de relacionamento entre as pessoas, portanto, faz parte do critério de êxito das empresas. Isso pode ser detectado quando observamos as preferências do público por determinados estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços. identificando os chefes pela civilidade e simpatia na condução dos seus liderados, na imagem de certas organizações junto ao mercado de trabalho, para citar alguns exemplos.
É evidente, não podemos imaginar as empresas como paraísos celestiais e, como complicador, entendemos que somos todos produto de culturas e influências as mais diversas, vivemos num país gigantesco que tem como denomina dor comum o regime político, o poder centralizado em centros de autoridade, o mesmo idioma e a mesma moeda. Além dessa miscelânea estamos todos -- a grande maioria dos brasileiros --estarrecidos e perplexos, com os nervos à flor da pele, pressionados por circunstâncias e fatos impiedosos de ordem política, social, econômica, financeira, policial, social e, sobretudo, de ausência ética, que condicionam muito mais a agressividade e o deboche que condutas primadas por elegância britânica.
No entanto, as crises passam e nós permanecemos. É necessário tirar partido dessa crise nacional. Apostando no melhor, empresários, trabalhadores organizados, políticos, professores, jornalistas, enfim, todos os que direta ou indiretamente são agentes naturais de mudanças, devem se mobilizar, fazer valer este momento histórico e praticar uma revolução no sentido da melhor qualidade de vida, tendo como instrumento a forma de tratamento en tre as pessoas, para começar.
Nas empresas as ações podem ser conduzidas pelos seus dirigentes, com ou sem a participação de peritos em ciências sociais; é necessário somente o bom senso e a empatia com o próximo, a convicção de que o cafajestismo e a grosseria são práticas perfeitamente dispensáveis, até mesmo no botequim da esquina.
Não é fácil, mas não é impossível. Os processos visando a reformulação das condutas são viáveis quando partem da definição de princípios e são executados de forma disciplinada. Vale dizer que o exemplo, de cima para baixo, garante parte dos bons resultados.
Não podemos evitar, nas ruas, a breguesse, as gesticulações obscenas, o linguajar chulo, verdadeiras agressões aos bons costumes; no entanto, dentro das organizações é possívels não só ditarmos as normas de conduta como parte da cultura organizacional, com o igualmente influenciarmos a população interna para que em outros ambientes e situações os indivíduos conservem a qualidade das suas relações interpessoais, como o tratamento civilizado em sinal de respeito ao outro e à sociedade.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
frases
- "Eu gostaria de ficar sozinha: ao que retruca o visitante: Eu gostaria de ficar sozinho; por que não ficamos sozinhos juntos?" (Final de um poema de Marianne Moore, está no livro Flores raras e banalíssimas, a biografia de Lota de Macedo Soares).
- "Com ou sem religião, as pessoas bem-intencionadas farão o bem e as mal-intencionadas farão o mal; mas, para que as pessoas bem-intencionadas façam o mal, é preciso religião". Steven Weinberg (prêmio Nobel de física)
- "Cães são mais sábios do que os homens. Eles não desperdiçam seus dias acumulando propriedades, nem perdem o sono se preocupando em como manter os objetos que possuem, ou obter coisas que não tem. Eles não tem nada de valor para deixar em testamento, somente amor e lealdade". (anônimo)
- O bem vem do bem e o mal, de onde vem ?
- se Adão e Eva são criaturas de Deus, porque nas imagens sacras eles aparecem com seus respectivos umbigos? (anônimo)
- o testemunho é a meretriz das provas (anônimo)
- os mais nobres sentimentos têm a culpa como matriz
- o passado é uma roupa que não me serve mais (Belchior)
- advertência aos frequentadores de consultórios de psicanálise: se persistirem os sintomas recorram a médicos (endocrinologistas, neurólogos, psiquiatras, clínicos gerais.........)
- a racionalização pode se tornar o mais torpe dos recursos, na defesa ou na agressão
- só o conhecimento e a evoluçã o da ciência promove o saber, o resto é especulação
- ser normal deve ser uma merda
- a paixão é dimensão patológica da afetividade
- a psicanálise, infelizmente, não teve o seu Pavlov
- os fundamentos da Igreja Católica e do cristianismo são tão autênticos como a existência de Papai Noel
- o Vaticano é a Disneylândia dos católicos
- o bem é limitado, o mal é infinito
- só os amores impossíveis são eternos
- a vida solitária é, sob o ponto de vista do relacionamento humano, uma formidável punheta
- o poder mal exercido é característica dos pervertidos
- a esperança é a confissão poética da falta de expectativas
- é fácil enganar as pessoas: basta mentir com sinceridade
- a fé e a paixão são irmãs siamesas: têm em comum o colapso da razão
- o marketing é eficaz velhacaria, que rapidamente transforma o cidadão comum em otário
- não existe país subdesenvolvido mas país mal governado (Peter Drucker)
- as igrejas são os botequins dos vícios da espiritualidade
- a fé é a prova definitiva de que a anencefalia pode ser voluntária
- quando chegamos aos sessenta de idade consideramos a velhice uma bênção e a senilidade uma merda; aos sessenta e cinco que uma e outra são horrores; aos setenta concluímos que a velhice é uma merda e a senilidade uma bênção
- que el amor menos se supere solo cambie de lugar (Mercedes Sosa)
- as reuniões são absolutamente indispensáveis quando não se quer decidir coisa alguma
- "qui bene diagnoscit, bene curat"(Pedro Nava)
- quem fala demais, fala merda (dedicada ao presidente Lula)
- velhos recauchutados, mais que as mulheres , estão a um passo do ridículo e a um palmo do grotesco
- não podemos confiar em políticos, telefones celulares e bunda de seminaristas
- a matemática é a estética do raciocínio (Wesley Duke Lee)
- as surpresas não estão no futuro, vêm do passado (anônimo)
- ninguém sabe do futuro (Franklin Martins)
- a pior surpresa é aquela que chega quando a gente menos espera (Pres. Costa e Silva)
- "Com ou sem religião, as pessoas bem-intencionadas farão o bem e as mal-intencionadas farão o mal; mas, para que as pessoas bem-intencionadas façam o mal, é preciso religião". Steven Weinberg (prêmio Nobel de física)
- "Cães são mais sábios do que os homens. Eles não desperdiçam seus dias acumulando propriedades, nem perdem o sono se preocupando em como manter os objetos que possuem, ou obter coisas que não tem. Eles não tem nada de valor para deixar em testamento, somente amor e lealdade". (anônimo)
- O bem vem do bem e o mal, de onde vem ?
- se Adão e Eva são criaturas de Deus, porque nas imagens sacras eles aparecem com seus respectivos umbigos? (anônimo)
- o testemunho é a meretriz das provas (anônimo)
- os mais nobres sentimentos têm a culpa como matriz
- o passado é uma roupa que não me serve mais (Belchior)
- advertência aos frequentadores de consultórios de psicanálise: se persistirem os sintomas recorram a médicos (endocrinologistas, neurólogos, psiquiatras, clínicos gerais.........)
- a racionalização pode se tornar o mais torpe dos recursos, na defesa ou na agressão
- só o conhecimento e a evoluçã o da ciência promove o saber, o resto é especulação
- ser normal deve ser uma merda
- a paixão é dimensão patológica da afetividade
- a psicanálise, infelizmente, não teve o seu Pavlov
- os fundamentos da Igreja Católica e do cristianismo são tão autênticos como a existência de Papai Noel
- o Vaticano é a Disneylândia dos católicos
- o bem é limitado, o mal é infinito
- só os amores impossíveis são eternos
- a vida solitária é, sob o ponto de vista do relacionamento humano, uma formidável punheta
- o poder mal exercido é característica dos pervertidos
- a esperança é a confissão poética da falta de expectativas
- é fácil enganar as pessoas: basta mentir com sinceridade
- a fé e a paixão são irmãs siamesas: têm em comum o colapso da razão
- o marketing é eficaz velhacaria, que rapidamente transforma o cidadão comum em otário
- não existe país subdesenvolvido mas país mal governado (Peter Drucker)
- as igrejas são os botequins dos vícios da espiritualidade
- a fé é a prova definitiva de que a anencefalia pode ser voluntária
- quando chegamos aos sessenta de idade consideramos a velhice uma bênção e a senilidade uma merda; aos sessenta e cinco que uma e outra são horrores; aos setenta concluímos que a velhice é uma merda e a senilidade uma bênção
- que el amor menos se supere solo cambie de lugar (Mercedes Sosa)
- as reuniões são absolutamente indispensáveis quando não se quer decidir coisa alguma
- "qui bene diagnoscit, bene curat"(Pedro Nava)
- quem fala demais, fala merda (dedicada ao presidente Lula)
- velhos recauchutados, mais que as mulheres , estão a um passo do ridículo e a um palmo do grotesco
- não podemos confiar em políticos, telefones celulares e bunda de seminaristas
- a matemática é a estética do raciocínio (Wesley Duke Lee)
- as surpresas não estão no futuro, vêm do passado (anônimo)
- ninguém sabe do futuro (Franklin Martins)
- a pior surpresa é aquela que chega quando a gente menos espera (Pres. Costa e Silva)
sábado, 6 de setembro de 2008
-- Collor e seus pungas --
Este artigo foi publicado no Diário de Petrópolis do dia 21 de abril de 1992, oito meses e alguns dias antes da deposição do presidente Fernando Collor de Melo. Nesse momento estouravam escândalos em torno do Palácio do Planalto, acompanhados de medidas paliativas do presidente de plantão, entre elas a reforma do ministério. Collor e seus pungas foi escolhido para figurar neste BLOG pela sua pertinência comos sentimentos de estupefação e revolta que progressivamente cristalizavam-se na sociedade; de certa forma fotografou um momento péssimo para o país, até o alívio que foi a imagem do presidente logo após sua renúncia, saindo pela porta dos fundos de Brasília.
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Não é necessário o título mestre em administração para afirmar e garantir que a responsabilidade corre paralela à autoridade, nem é necessário entender profundamente de política para reconhecer que a autoridade é representada pelo poder: em seu nome as pessoas dizem, fazem e acontece.
Estamos anda lembrados, suponho eu, do que aconteceu e vem acontecendo há dois anos, desde o momento da posse do atual presidente da República. Houve o discurso arrogante, as ações autoritárias e aconteceram chorrilhões de desmandos e arbitrariedades. Foram traçados e executados os rumos da economia, cujas consequências até hoje sangram o nosso bolso e nos tiram a oportunidade de trabalhar, pois o Brasil é o único país em que a inflação baixa e os preços sobem, e a recessão é espaço de manobras para agradar os credo res externos. Vale lembrar o famigerado e injusto bloqueio do nosso dinheiro, com o caráter de indifarçado confisco, desde os depósitos bancários até as populares cadernetas de poupança, e só safaram dessas os bem informados e os cúmplices do poder; e isso, notem bem, pouco depois da declaração do então candidato Fernando Collor, onde afirmara que o confisco era plano de Lula e das esquerdas. (1)
Foi o presidente da República quem confiou a gestão econômica deste país a "uma jovem que se revelou inepta" (2), além dos escândalo promovido pelo seu envolvimentos amorosos e lambanças sexuais, um conjunto de desastrosos produtos de uma mesma mente apaixonada que ela mesma fez questão de escancarar.
O mesmo presidente nomeou ministros, assessores, secretários e assumiu publicamente total responsabilidade pelos atos desses seus subo rdinados, como se isso fosse necessário; seria exaustivo desfiar, neste momento e neste espaço, o que os órgãos de comunicação noticiam, no país e no exterior, sobre o mar de lama que invadiu o Palácio do Planalto, exatamente por conta do pessoal mais chegado e de maior confiança do presidente, inclusive sua própria mulher. Exaustivo e desnecessário pois todos nós tomamos conhecimento de todas essas bandalheiras, ironicamente, até pelos serviços oficiais de divulgação.
De repente, numa segunda-feira qualquer, quando a opinião pública já estava identificando o vilão maior dessa história, além dos atores e personagens desse triste espetáculo. surge teatralmente o "salvador da pátria", como grande vítima, e anuncia a renúncia do ministério, uma espécie de ducha asséptica para se livrar da sarna que o atormentava. Sabemos que o corpo foi para o vinagre mas permanece a cabeça da tênia, tendo como hospedeiros o que existe de pior e retrógrado: os líderes de partidos e carreiristas, herdeiros legpitimos da ditadura, como o presidente agora desmascarado.
Veio a ciranda dos cargos políticos, o loteamento por interesses, Brasília e o Palácio do Planalto são assaltados pelos que fazem "da vida pública um meio de existência e suprem com a esperteza criminosa a superioridade do pensar" (3), impera a lei do "toma lá, da cá" que no Brasil é parte essencial da política e desbragado clientelismo que, neste momento, lambuza figuras até então inatacáveis sob o aspecto moral.
Por uma questão de decência e um mínimo de senso auto-crítico, junto com os ministros podres deveria ir também o responsável pelas suas nomeações; teríamos, provavelmente, um governp de coalizão e mais uma tentativa de salvar o país do caos político e administrativo, saturado de décadas de grossas safadezas e absoluta falta de patriotismo.
(1) entrevista ao jornalista Ferreira Netto, TV Bandeirantes (2) entrevista de Celso de Souza e Silva ao JB, dia 5 de abril de 1992
(3) Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos
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Não é necessário o título mestre em administração para afirmar e garantir que a responsabilidade corre paralela à autoridade, nem é necessário entender profundamente de política para reconhecer que a autoridade é representada pelo poder: em seu nome as pessoas dizem, fazem e acontece.
Estamos anda lembrados, suponho eu, do que aconteceu e vem acontecendo há dois anos, desde o momento da posse do atual presidente da República. Houve o discurso arrogante, as ações autoritárias e aconteceram chorrilhões de desmandos e arbitrariedades. Foram traçados e executados os rumos da economia, cujas consequências até hoje sangram o nosso bolso e nos tiram a oportunidade de trabalhar, pois o Brasil é o único país em que a inflação baixa e os preços sobem, e a recessão é espaço de manobras para agradar os credo res externos. Vale lembrar o famigerado e injusto bloqueio do nosso dinheiro, com o caráter de indifarçado confisco, desde os depósitos bancários até as populares cadernetas de poupança, e só safaram dessas os bem informados e os cúmplices do poder; e isso, notem bem, pouco depois da declaração do então candidato Fernando Collor, onde afirmara que o confisco era plano de Lula e das esquerdas. (1)
Foi o presidente da República quem confiou a gestão econômica deste país a "uma jovem que se revelou inepta" (2), além dos escândalo promovido pelo seu envolvimentos amorosos e lambanças sexuais, um conjunto de desastrosos produtos de uma mesma mente apaixonada que ela mesma fez questão de escancarar.
O mesmo presidente nomeou ministros, assessores, secretários e assumiu publicamente total responsabilidade pelos atos desses seus subo rdinados, como se isso fosse necessário; seria exaustivo desfiar, neste momento e neste espaço, o que os órgãos de comunicação noticiam, no país e no exterior, sobre o mar de lama que invadiu o Palácio do Planalto, exatamente por conta do pessoal mais chegado e de maior confiança do presidente, inclusive sua própria mulher. Exaustivo e desnecessário pois todos nós tomamos conhecimento de todas essas bandalheiras, ironicamente, até pelos serviços oficiais de divulgação.
De repente, numa segunda-feira qualquer, quando a opinião pública já estava identificando o vilão maior dessa história, além dos atores e personagens desse triste espetáculo. surge teatralmente o "salvador da pátria", como grande vítima, e anuncia a renúncia do ministério, uma espécie de ducha asséptica para se livrar da sarna que o atormentava. Sabemos que o corpo foi para o vinagre mas permanece a cabeça da tênia, tendo como hospedeiros o que existe de pior e retrógrado: os líderes de partidos e carreiristas, herdeiros legpitimos da ditadura, como o presidente agora desmascarado.
Veio a ciranda dos cargos políticos, o loteamento por interesses, Brasília e o Palácio do Planalto são assaltados pelos que fazem "da vida pública um meio de existência e suprem com a esperteza criminosa a superioridade do pensar" (3), impera a lei do "toma lá, da cá" que no Brasil é parte essencial da política e desbragado clientelismo que, neste momento, lambuza figuras até então inatacáveis sob o aspecto moral.
Por uma questão de decência e um mínimo de senso auto-crítico, junto com os ministros podres deveria ir também o responsável pelas suas nomeações; teríamos, provavelmente, um governp de coalizão e mais uma tentativa de salvar o país do caos político e administrativo, saturado de décadas de grossas safadezas e absoluta falta de patriotismo.
(1) entrevista ao jornalista Ferreira Netto, TV Bandeirantes (2) entrevista de Celso de Souza e Silva ao JB, dia 5 de abril de 1992
(3) Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
3 de agosto de 1944
Este foi o dia mais infeliz da minha vida!
Este foi o dia doloroso para nós todos em casa.
Este foi o dia que a "Mitse" morreu!
Para mim foi o dia que eu chorei mais na minha vida, que eu fiz uma covinha triste, dolorosa e pequenina com uma cruz de espinhos coberta de papel de seda. Tininho ajudou-me como melhor amigo meu, é só.
Bruda
3 de agosto de 1944
Este foi o dia doloroso para nós todos em casa.
Este foi o dia que a "Mitse" morreu!
Para mim foi o dia que eu chorei mais na minha vida, que eu fiz uma covinha triste, dolorosa e pequenina com uma cruz de espinhos coberta de papel de seda. Tininho ajudou-me como melhor amigo meu, é só.
Bruda
3 de agosto de 1944
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Pelas asas da Panair
Manhã de feriado , meio da semana. Na praia do Leme um grupo de amigos aguardava a montagem da quadra de vôlei jogando linha-de-passe. E apareceu no calçadão a moça morena com as filhas lourinhas do coronel Da Silva, que morava no mesmo prédio da Lota de Macedo Soares e Elizabeth Bishop. Segurava as meninas, uma em cada mão e ainda por cima equilibrava a tralha: a barraca, toalhas, chapéus e uma enorme bolsa. Bem feita de corpo, chamou a atenção da rapaziada. Fernando antecipou-se aos amigos, dirigiu-se à morena e a auxiliou a descer; mais que isso, também fincou o pau da barraca. Sorrisos, agradecimentos, Núbia era o seu nome, dois dedos de prosa e ficou sabendo que era parente do coronel, prima talvez, mineira, chegou no Rio de Janeiro disposta a enfrentar a seleção de pessoal da Panair do Brasil, queria porque queria ser aeromoça. Fernando voltou para o grupo, a essa altura já estavam organizados 3 times, seria uma competição valendo refrigerantes.
Fernando tinha folga no dia seguinte, não deu outra: ficou de campana na praia esperando Núbia aparecer, e assim aconteceu. Desta vez, já apresentados, as coisas estavam em mar de almirante, combinaram encontro naquele mesmo dia, no final da tarde. De mãos dadas iam e vinham pelo calçadão da praia, da rua Antonio Vieira até o forte Duque de Caxias; assunto não faltou, a simpatia correu recíproca. E pintou também a atração física, casal bonito, começaram pelos agrados, beijinhos inocentes e dois dias depois estavam rolando numa cama estreita do quarto de empregada da casa do coronel. E o segredo de Núbia ficou a descoberto, não era parente de ninguém mas babá das meninas. Tudo bem com Fernando, prometeu silêncio, moita. E como quase sempre acontece nessas situações, condições, em pouco tempo Fernando tomou fastio pela morena , resolveu tirar o time de campo. À francesa, está claro.
No entanto, mal sabia ele que estavam sendo observados por um amigo do Leme, este sim confesso apaixonado pela morena Núbia. Alberto aproximou-se de Fernando, disse que o tinha visto com “ela”. Num dado momento, repentinamente, perguntou ao amigo: “Me diga uma coisa, você está levando a sério esse namoro ?” Fernando pediu mais um chope ao garçom, deu um tempo e falou abertamente: “Alberto, não posso mentir para você. Não quero nada de sério com essa moça, aliás, estou a fim de acabar com a relação”. Alberto, por sua vez, igualmente fortaleceu o sentido da amizade de ambos e se abriu: “Meu camarada, estou fissurado nessa mulher !!! Já que você não quer nada com ela, pelo menos me apresenta, daí em diante, deixa comigo”. No entanto, apesar da promessa de Fernando, iria mesmo fazer a apresentação, ele não acreditou que Núbia viesse a se interessar pelo amigo. Nada contra, era um rapaz inteligente, ótima pessoa, mas muito feio, tão feio que o apelido era rascunho. Mas, promessa é promessa, precisava mesmo é de um ardil, alguma coisa que despertasse nela alguma “atração” por Alberto. Combinou com o amigo, então, que ele seria apresentado como filho do Paulo Sampaio, oresidente da Panair do Brasil. Concordaram que seria o melhor, um dia ela vai descobrir a canalhice, paciência; o tempo se encarregará de transformar tudo isso numa brincadeira de mau gosto, no máximo, pode até dar certo, coisas da juventude. Quem não foi, quem não será?
Dois dias depois, tudo acertado, Fernando e Núbia passeavam pelo calçadão, eis que aparece Alberto; é apresentado, os três ficam a conversar por algum tempo e, com uma categoria de grande ator Fernando solta um Ahhhhhhhh !!!, cara de espanto, revela para Alberto: “Núbia é de Formiga, Minas, está aqui no Rio para realizar um sonho, o de ser aeromoça “. Alberto, não menos ator, pergunta, dirigindo-se para a moça: “ De que companhia ?” Ela responde de imediato: “Quero trabalhar na Panair”. Os rapazes fazem caras e bocas de surpresa e Fernando faz a revelação, numa cara-de-pau de invejar políticos: “Então a coisa está no bom caminho, Alberto, este meu amigo, é filho do presidente da Panair, quem sabe pode dar uma ajudinha”. Núbia não se contém, abraça Alberto meio de lado, é toda sorriso, que coisa do destino,”hein minha gente de Minas Gerais”, é o que lhe passa na cabeça, eufórica. “Deus é grande”, repete para si mesma várias vezes. Os três combinam uma conversa entre Alberto e ela, a idéia era dele mostrar o caminho das pedras. E, a partir desse novo relacionamento de Núbia, Fernando deu uma de sumiço, foi tiro e queda. Simplesmente Núbia também “desapareceu”, Alberto idem, aceitou convite para trabalhar em Ribeirão Preto, interior do estado de São Paulo, nem deu notícias para Fernando sobre o que tinha acontecido, restou a história para um dia ser contada, um negócio quase psicodélico.
Passam-se dois anos. Fernando chega em casa, tinha sido um dia duro na faculdade, estava cumprindo os últimos créditos que o habilitariam a formar-se em engenharia; cansado, tomou uma ducha e foi para o seu quarto. Minutos depois sua mãe bate na porta, quer falar-lhe, uma novidade. Fernando atende, e ela conta: “Hoje, logo depois no almoço, esteve uma moça lhe procurando. Disse que você voltaria pelas seis da tarde, ela, infelizmente tinha vôo hoje à noite para os Estados Unidos, não podia esperar”. Fernando, entre ressabiado e curioso, interrompe: “E aí, e aí ?!?” Calma”, diz a mãe. “Perguntou por você, pelo curso na PUC, lamentou não encontrá-lo, deixou de presente uma garrafa de Jack Daniel’s, é isso mesmo ? É o uísque que você gosta, não é mesmo? “.Fernando, a esta altura está sentado na cama, estupefato, atento. E sua mãe complementa: “Uma morena bonita, de olhos verdes, com o uniforme de aeromoça da Panair, de nome Núbia. É sua conhecida de onde, meu filho? “. “Da praia, da praia, mãe”., e pede para ficar sozinho. Precisava ficar sozinho.
Fernando tinha folga no dia seguinte, não deu outra: ficou de campana na praia esperando Núbia aparecer, e assim aconteceu. Desta vez, já apresentados, as coisas estavam em mar de almirante, combinaram encontro naquele mesmo dia, no final da tarde. De mãos dadas iam e vinham pelo calçadão da praia, da rua Antonio Vieira até o forte Duque de Caxias; assunto não faltou, a simpatia correu recíproca. E pintou também a atração física, casal bonito, começaram pelos agrados, beijinhos inocentes e dois dias depois estavam rolando numa cama estreita do quarto de empregada da casa do coronel. E o segredo de Núbia ficou a descoberto, não era parente de ninguém mas babá das meninas. Tudo bem com Fernando, prometeu silêncio, moita. E como quase sempre acontece nessas situações, condições, em pouco tempo Fernando tomou fastio pela morena , resolveu tirar o time de campo. À francesa, está claro.
No entanto, mal sabia ele que estavam sendo observados por um amigo do Leme, este sim confesso apaixonado pela morena Núbia. Alberto aproximou-se de Fernando, disse que o tinha visto com “ela”. Num dado momento, repentinamente, perguntou ao amigo: “Me diga uma coisa, você está levando a sério esse namoro ?” Fernando pediu mais um chope ao garçom, deu um tempo e falou abertamente: “Alberto, não posso mentir para você. Não quero nada de sério com essa moça, aliás, estou a fim de acabar com a relação”. Alberto, por sua vez, igualmente fortaleceu o sentido da amizade de ambos e se abriu: “Meu camarada, estou fissurado nessa mulher !!! Já que você não quer nada com ela, pelo menos me apresenta, daí em diante, deixa comigo”. No entanto, apesar da promessa de Fernando, iria mesmo fazer a apresentação, ele não acreditou que Núbia viesse a se interessar pelo amigo. Nada contra, era um rapaz inteligente, ótima pessoa, mas muito feio, tão feio que o apelido era rascunho. Mas, promessa é promessa, precisava mesmo é de um ardil, alguma coisa que despertasse nela alguma “atração” por Alberto. Combinou com o amigo, então, que ele seria apresentado como filho do Paulo Sampaio, oresidente da Panair do Brasil. Concordaram que seria o melhor, um dia ela vai descobrir a canalhice, paciência; o tempo se encarregará de transformar tudo isso numa brincadeira de mau gosto, no máximo, pode até dar certo, coisas da juventude. Quem não foi, quem não será?
Dois dias depois, tudo acertado, Fernando e Núbia passeavam pelo calçadão, eis que aparece Alberto; é apresentado, os três ficam a conversar por algum tempo e, com uma categoria de grande ator Fernando solta um Ahhhhhhhh !!!, cara de espanto, revela para Alberto: “Núbia é de Formiga, Minas, está aqui no Rio para realizar um sonho, o de ser aeromoça “. Alberto, não menos ator, pergunta, dirigindo-se para a moça: “ De que companhia ?” Ela responde de imediato: “Quero trabalhar na Panair”. Os rapazes fazem caras e bocas de surpresa e Fernando faz a revelação, numa cara-de-pau de invejar políticos: “Então a coisa está no bom caminho, Alberto, este meu amigo, é filho do presidente da Panair, quem sabe pode dar uma ajudinha”. Núbia não se contém, abraça Alberto meio de lado, é toda sorriso, que coisa do destino,”hein minha gente de Minas Gerais”, é o que lhe passa na cabeça, eufórica. “Deus é grande”, repete para si mesma várias vezes. Os três combinam uma conversa entre Alberto e ela, a idéia era dele mostrar o caminho das pedras. E, a partir desse novo relacionamento de Núbia, Fernando deu uma de sumiço, foi tiro e queda. Simplesmente Núbia também “desapareceu”, Alberto idem, aceitou convite para trabalhar em Ribeirão Preto, interior do estado de São Paulo, nem deu notícias para Fernando sobre o que tinha acontecido, restou a história para um dia ser contada, um negócio quase psicodélico.
Passam-se dois anos. Fernando chega em casa, tinha sido um dia duro na faculdade, estava cumprindo os últimos créditos que o habilitariam a formar-se em engenharia; cansado, tomou uma ducha e foi para o seu quarto. Minutos depois sua mãe bate na porta, quer falar-lhe, uma novidade. Fernando atende, e ela conta: “Hoje, logo depois no almoço, esteve uma moça lhe procurando. Disse que você voltaria pelas seis da tarde, ela, infelizmente tinha vôo hoje à noite para os Estados Unidos, não podia esperar”. Fernando, entre ressabiado e curioso, interrompe: “E aí, e aí ?!?” Calma”, diz a mãe. “Perguntou por você, pelo curso na PUC, lamentou não encontrá-lo, deixou de presente uma garrafa de Jack Daniel’s, é isso mesmo ? É o uísque que você gosta, não é mesmo? “.Fernando, a esta altura está sentado na cama, estupefato, atento. E sua mãe complementa: “Uma morena bonita, de olhos verdes, com o uniforme de aeromoça da Panair, de nome Núbia. É sua conhecida de onde, meu filho? “. “Da praia, da praia, mãe”., e pede para ficar sozinho. Precisava ficar sozinho.
O Opala azul-marinho, duas portas, modelo 1972
Ronaldo estava desconfiado e tinha lá seus motivos. Ameaça à vista. O novo vizinho, casa do lado, mais moço que ele, sempre bem vestido, desquitado, advogado de conhecido escritório de São Paulo e ainda por cima dono de um belo Opala azul-marinho, duas portas, modelo recém-lançado no mercado..
Marlene, como a maioria das mulheres, casadas ou não, estava ouriçada com a novidade, até que enfim a população da vila melhorou de nível, costumava comentar para as amigas. E, pelo fato de morar ao lado dele, tinha o privilégio de observar seus movimentos: a hora que saia para o trabalho, que voltava e, até, se chegava em casa acompanhado. Mania, obsessão. Fácil de concluir que Ronaldo no mínimo sentia-se desconfortável, com muita freqüência flagrava a mulher espionando o vizinho pela janela da sala, protegida pela penumbra e pelas cortinas. Uma merda !
No entanto, atribuía essa conduta de Marlene como característica feminina, a curiosidade, sobretudo, ........”isso passa”, imaginava.. Não raro ela se pendurava no telefone, eram as amigas, quase todas excitadas quando o assunto versava sobre as companhias noturnas do vizinho, aventuras do dândi paulistano. Um contagiante frenesi .
E Marlene, de repente, passou a cuidar do jardim, coincidentemente nos momentos que o vizinho tirava o carro da garage, quando saía para o trabalho. Dessa Ronaldo não sabia, pois tinha de chegar na loja, onde era o gerente, mais cedo que os empregados.
Claro, o impecável vizinho e Marlene cruzaram os olhares, primeiro foi um cordial “bom dia”, depois algumas frases pouco criativas sobre o tempo, o sol, as plantas. Enfim, qualquer bobagem valia. E assim surgiu o interesse recíproco para uma aproximação física, obviamente clandestina. Nem precisavam mais trocar palavras, bastava um olhar, um sinal, e assim Marlene iniciou sua carreira de adúltera e Ronaldo passou a ostentar um simbólico par de chifres.
E o tempo correu. Tudo parecia estar mais calmo, raramente o casal se referia ao vizinho.
Numa noite, o casal assistia TV, sugeriu Marlene: “ Por que não trocamos de carro ? Nossa Variant já está meio usada, não dá não ? Ronaldo, sonolento, respondeu que o carro tinha apenas dois anos de uso, ótimo carro, um novo agora poderia mexer com suas reservas financeiras, enfim, desarticulou a mulher. E, surpreendendo Marlene, perguntou de chofre, movido pela intuição: “Você está tendo algum caso com nosso vizinho ? Bomba.! A mulher gaguejou, tentou indignar-se, mas a pergunta a pegou como tiro na mosca. “Não, não tenho, mas bem poderia ter” e, elevando a voz, agressiva: “Seria a mulher mais sortuda aqui da vila, se interessa saber”. Ronaldo, com a tranqüilidade que deve ter-lhe custado elevação da pressão arterial, levantou-se, dirigiu-se à sala de visitas, ligou a eletrola , uma composição de Mahler, que adorava, serviu-se de uísqui e gelo, foi uma noite insone. A idéia da corneação o perseguia, duro de engolir, a possibilidade de ser verdade.
No dia seguinte saiu sem o café da manhã. Chegando no trabalho procurou na
lista telefônica os anúncios de detetives particulares, entrou em contato com um deles.
Um mês depois, pagando caro pelo serviço, o relatório do investigador não comprometia
Marlene em nada. Por outro lado, o casal parecia ter esquecido o péssimo diálogo “daquela noite”. As coisas simplesmente voltaram à normalidade. Mas, passados mais alguns dias eis que chega a confirmação de adultério, não só os dias, as horas e o período em que os amantes passaram nos motéis, mais as fotos, os flagrantes. Foi sim como se Ronaldo tivesse sido atropelado por uma locomotiva, pior que isso, seria o rompimento e de forma brutal, ridícula, de um casamento de dez anos. Erro de pessoa ? Difícil de acreditar, muito menos aceitar passivamente. Não tinha outro jeito, depois de longa conversa com a mulher, que durou toda uma noite, resolveram pela separação. Ronaldo iria para um hotel e, na cabeça dele, ela ficaria ainda mais livre para se divertir com o vizinho. Prometeram que não haveria escândalo, ele iniciaria o processo do desquite, alegariam o tão usado, desgastado pretexto, “incompatibilidade de gênios”.
No entanto, a separação não estava sendo tão fácil como ambos supunham. Ronaldo, acostumado com sua casa , o conforto, seus livros e discos, enfim, quem já passou por isso sabe do que se trata. Quem não passou, ainda, que faça uso de sua imaginação. Marlene, por seu lado, logo de início sentiu alívio. Livre, finalmente sem culpas, angústias.......... Mas para sua surpresa e indignação o vizinho amante a jogou para escanteio, assim que soube da separação. E fim de papo. Suas amigas tomaram conhecimento do que aconteceu, quase tudo, e Marlene passou a ser uma ameaça disposta a buscar suas satisfações, de toda ordem, o jeito foi marginalizá-la. Os maridos passaram a ser melhor vigiados..
Precisavam conversar sobre o andamento do processo. Algumas semanas se passaram, marcaram encontro numa determinada quarta-feira, jantariam juntos como pessoas civilizadas. Ronaldo foi apanhá-la com seu carro novo, tinha também comprado um terno no mais famoso alfaiate de São Paulo, o Zago, os sapatos eram do Petrika’s, enfim, um novo homem.. E assim aconteceu, depois do jantar esticaram para um motel, tiveram uma noite de namorados, arrebatadora. Lá pelas tantas da noite, assim que Marlene saiu do carro -- Ronaldo a acompanhou até a porta da casa -- disse para Ronaldo, olhando firme e docemente, olhos nos olhos: “Adorei nosso encontro, quem sabe entramos numa nova fase de relacionamento, seu carro novo é lindo ! É um Opala , duas portas, azul-marinho, não é mesmo ?” “Sim”, a resposta pronta, seca. Ronaldo elegantemente beijou suas mãos, seus lábios, despediram-se.
No dia seguinte, manchete na primeira página do jornal Ultima Hora: “advogado desaparecido no domingo foi encontrado morto boiando no Rio Tietê”.
Marlene, como a maioria das mulheres, casadas ou não, estava ouriçada com a novidade, até que enfim a população da vila melhorou de nível, costumava comentar para as amigas. E, pelo fato de morar ao lado dele, tinha o privilégio de observar seus movimentos: a hora que saia para o trabalho, que voltava e, até, se chegava em casa acompanhado. Mania, obsessão. Fácil de concluir que Ronaldo no mínimo sentia-se desconfortável, com muita freqüência flagrava a mulher espionando o vizinho pela janela da sala, protegida pela penumbra e pelas cortinas. Uma merda !
No entanto, atribuía essa conduta de Marlene como característica feminina, a curiosidade, sobretudo, ........”isso passa”, imaginava.. Não raro ela se pendurava no telefone, eram as amigas, quase todas excitadas quando o assunto versava sobre as companhias noturnas do vizinho, aventuras do dândi paulistano. Um contagiante frenesi .
E Marlene, de repente, passou a cuidar do jardim, coincidentemente nos momentos que o vizinho tirava o carro da garage, quando saía para o trabalho. Dessa Ronaldo não sabia, pois tinha de chegar na loja, onde era o gerente, mais cedo que os empregados.
Claro, o impecável vizinho e Marlene cruzaram os olhares, primeiro foi um cordial “bom dia”, depois algumas frases pouco criativas sobre o tempo, o sol, as plantas. Enfim, qualquer bobagem valia. E assim surgiu o interesse recíproco para uma aproximação física, obviamente clandestina. Nem precisavam mais trocar palavras, bastava um olhar, um sinal, e assim Marlene iniciou sua carreira de adúltera e Ronaldo passou a ostentar um simbólico par de chifres.
E o tempo correu. Tudo parecia estar mais calmo, raramente o casal se referia ao vizinho.
Numa noite, o casal assistia TV, sugeriu Marlene: “ Por que não trocamos de carro ? Nossa Variant já está meio usada, não dá não ? Ronaldo, sonolento, respondeu que o carro tinha apenas dois anos de uso, ótimo carro, um novo agora poderia mexer com suas reservas financeiras, enfim, desarticulou a mulher. E, surpreendendo Marlene, perguntou de chofre, movido pela intuição: “Você está tendo algum caso com nosso vizinho ? Bomba.! A mulher gaguejou, tentou indignar-se, mas a pergunta a pegou como tiro na mosca. “Não, não tenho, mas bem poderia ter” e, elevando a voz, agressiva: “Seria a mulher mais sortuda aqui da vila, se interessa saber”. Ronaldo, com a tranqüilidade que deve ter-lhe custado elevação da pressão arterial, levantou-se, dirigiu-se à sala de visitas, ligou a eletrola , uma composição de Mahler, que adorava, serviu-se de uísqui e gelo, foi uma noite insone. A idéia da corneação o perseguia, duro de engolir, a possibilidade de ser verdade.
No dia seguinte saiu sem o café da manhã. Chegando no trabalho procurou na
lista telefônica os anúncios de detetives particulares, entrou em contato com um deles.
Um mês depois, pagando caro pelo serviço, o relatório do investigador não comprometia
Marlene em nada. Por outro lado, o casal parecia ter esquecido o péssimo diálogo “daquela noite”. As coisas simplesmente voltaram à normalidade. Mas, passados mais alguns dias eis que chega a confirmação de adultério, não só os dias, as horas e o período em que os amantes passaram nos motéis, mais as fotos, os flagrantes. Foi sim como se Ronaldo tivesse sido atropelado por uma locomotiva, pior que isso, seria o rompimento e de forma brutal, ridícula, de um casamento de dez anos. Erro de pessoa ? Difícil de acreditar, muito menos aceitar passivamente. Não tinha outro jeito, depois de longa conversa com a mulher, que durou toda uma noite, resolveram pela separação. Ronaldo iria para um hotel e, na cabeça dele, ela ficaria ainda mais livre para se divertir com o vizinho. Prometeram que não haveria escândalo, ele iniciaria o processo do desquite, alegariam o tão usado, desgastado pretexto, “incompatibilidade de gênios”.
No entanto, a separação não estava sendo tão fácil como ambos supunham. Ronaldo, acostumado com sua casa , o conforto, seus livros e discos, enfim, quem já passou por isso sabe do que se trata. Quem não passou, ainda, que faça uso de sua imaginação. Marlene, por seu lado, logo de início sentiu alívio. Livre, finalmente sem culpas, angústias.......... Mas para sua surpresa e indignação o vizinho amante a jogou para escanteio, assim que soube da separação. E fim de papo. Suas amigas tomaram conhecimento do que aconteceu, quase tudo, e Marlene passou a ser uma ameaça disposta a buscar suas satisfações, de toda ordem, o jeito foi marginalizá-la. Os maridos passaram a ser melhor vigiados..
Precisavam conversar sobre o andamento do processo. Algumas semanas se passaram, marcaram encontro numa determinada quarta-feira, jantariam juntos como pessoas civilizadas. Ronaldo foi apanhá-la com seu carro novo, tinha também comprado um terno no mais famoso alfaiate de São Paulo, o Zago, os sapatos eram do Petrika’s, enfim, um novo homem.. E assim aconteceu, depois do jantar esticaram para um motel, tiveram uma noite de namorados, arrebatadora. Lá pelas tantas da noite, assim que Marlene saiu do carro -- Ronaldo a acompanhou até a porta da casa -- disse para Ronaldo, olhando firme e docemente, olhos nos olhos: “Adorei nosso encontro, quem sabe entramos numa nova fase de relacionamento, seu carro novo é lindo ! É um Opala , duas portas, azul-marinho, não é mesmo ?” “Sim”, a resposta pronta, seca. Ronaldo elegantemente beijou suas mãos, seus lábios, despediram-se.
No dia seguinte, manchete na primeira página do jornal Ultima Hora: “advogado desaparecido no domingo foi encontrado morto boiando no Rio Tietê”.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Tarde Fria em Nova York
Tarde fria em Nova York. O casal sai do carro, o elegante manobrista trata de levá-lo ao estacionamento. Entram no vestíbulo , uma moça também uniformizada toma conta dos agasalhos. Ana quase tem um surto de deslumbramento, consegue conter-se com muito esforço: o lindo salão do restaurante lembra o dos filmes musicais da Metro, talvez o Delmonico’s da década de vinte. Um conjunto toca Cole Porter com a discrição conveniente. Sentam-se junto a imensa janela, enfeitada por camadas de cortinas em tom chocolate bem clarinho.. Pedem coquetéis e assim que o maître se afasta, sim, olham-se de frente, depois de alguns segundos sorriem. Richard sobriamente trajado com um terno cor de cinza, gravata bordô, impecável, ela com um vestido comprado às pressas, naquele mesmo dia, mas aceitável para a ocasião; os cabelos puxados para trás e presos num coque, maquiagem suave. Pequenina e graciosa, Ana representa e bem o Uruguai, sua terra natal, descendente de italianos é uma sul-americana de carnes rijas e pele bronzeada em Punta del Leste, dentes perfeitos que exibe em generosos sorrisos. Richard, tipo bonitão de Hollywood, seus filmes fazem sucesso e ele muito mais com as mulheres do planeta, Ana era uma delas: fascínio por ele, um acontecimento mágico estarem juntos naquele momento. Foram apresentados na noite anterior , vernissage de uma prima que mora nos Estados Unidos há muitos anos; como artista plástica Graziela tinha conquistado um belo filão nas elites novaiorquinas, cada vez que lança seus quadros e esculturas de certa forma organiza festas divertidas e com convidados dos diversos matizes do colorido humano.
Têm dificuldade de comunicação, Richard não fala espanhol e Ana muito menos o inglês. Mas, quando pinta o clima da aproximação, da simpatia, esse problema é facilmente contornado, há a linguagem universal dos sinais, o olhar de um e de outro , a gesticulação e ainda a expressão facial. Portanto, foi assim que o casal combinou o almoço, os dois buscando o entendimento, mas estava muito claro que o encontro não se limitaria ao almoço, dariam uma esticada depois; Richard, otimista, já tinha reservado uma suíte no hotel que abrigava o restaurante.
Depois dos drinques, mais soltos, Ana sentia-se leve, que o almoço não durasse muito; Richard, esbanjando charme, sabia que estava administrando a situação mas não tinha outro jeito, precisava falar, dizer alguma coisa, e, claro, teria de ser em inglês.
-- Iú nou mi, mai neim is Richard bat iu mei colmi Dick, ov corsssss
Seus olhos piscaram com exagero, fazia parte, Ana reparou que o nariz dele não era tão grande assim, como parecia nos filmes.
Ana, sorrindo – Si Dick, no me passô por la cabeza jamarte mister Gere – esticou a mão direita por cima da mesa, Richard a enlaçou com seus enormes dedos, apertou; o sistema hormonal de ambos explodiu, olhos nos olhos, fixos e quase dramáticos, por pouco não deixaram o almoço para depois. Mas, controlam-se, os garçons chegavam com os pedidos.
-- Ana es mi nombre, asi me conocem en família , en toda parte. Solamente Ana, basta!!! -- e o “solamente basta” saiu decisivo e cantado, como falam uruguaios e argentinos.
Ela sabia que se tratava de uma aventura, mas certamente episódio raro, único, muita gente duvidará, certamente.. Pouco se importa, viver o momento é o que vale, quantas mulheres gostariam de estar na situação dela? Sabia também que Richard estava a fim de curtir uma novidade, mulher que recém-conhecia, para ele um tipo quase exótico do extremo sul do continente americano. E ambos continuavam tentando a comunicação verbal, já que os braços e as mãos estavam ocupados com o almoço.
-- Adonde vives? Aqui o en Califórnia? Califórnia – acentuou, buscando um inglês compreensível, dispensável para essa palavra.
-- Oooohhh ! – balbucia Richard, abafa um arrotinho – Oooohhh! Ai liv in everi parts ov de cântrrri, ai uorc rardli, uon dei rear, anoderrrr in Calcutá, it depends ov de contracts, its clear for iu? Uere you live?
-- Si, comprendo, uorc, trabajo, si, mutchas viahens, siempre. Jo vivo en Montevidéo, trabaho, uorc, traductora francês-espanhol, soi traductora --, arrematou Ana. – Vivo em Montevidéo pero me encanta Punta del Este en el verano, samar, samar, Ok? Iu anderstand?
E aos trancos trocam palavras, cada um no seu idioma, reciprocamente desconhecidas, mas o sentido das mensagens é razoavelmente captado. Afinal, não estavam ali num esforço panamericano para o entendimento, “por supuesto”.
E o almoço termina sem sobremesa, Richard pede conhaque para os dois, a bebida sela a etapa , dali para diante outros prazeres tomariam conta do simpático casal.
Dirigem-se para os elevadores quando Richard percebe a chegada de uma velha conhecida; pede licença para Ana, no vestíbulo do restaurante cumprimenta Júlia Roberts. Ana observa atentamente, claro, preocupada, e não deu outra: Richard volta, pede muitos “sorris”, chama o elegante manobrista que estava a pouca distância (a presença de Júlia Roberts em qualquer lugar mexe com muita gente, um frisson danado), e ordena -- Please, call a cab for de lady – apontando para Ana. Mais “sorris”, a situação fica insuportável para ela, simplesmente rejeitada como uma coisa qualquer. Como de bom sangue latino, antes que Richard e Júlia desaparecessem para um canto qualquer do restaurante, diz em tom audível por todos os presentes:
-- Maricón, me cago en la leche de tu madre !!!!!! –. Alvoroço, zum-zum-zum e o elegante manobrista já a cutucava nas costas –“Mileide, de texi is ueiting ; teique dis , Mr Gere send’s for iú “ --. Era uma nota de 50 dólares.
Têm dificuldade de comunicação, Richard não fala espanhol e Ana muito menos o inglês. Mas, quando pinta o clima da aproximação, da simpatia, esse problema é facilmente contornado, há a linguagem universal dos sinais, o olhar de um e de outro , a gesticulação e ainda a expressão facial. Portanto, foi assim que o casal combinou o almoço, os dois buscando o entendimento, mas estava muito claro que o encontro não se limitaria ao almoço, dariam uma esticada depois; Richard, otimista, já tinha reservado uma suíte no hotel que abrigava o restaurante.
Depois dos drinques, mais soltos, Ana sentia-se leve, que o almoço não durasse muito; Richard, esbanjando charme, sabia que estava administrando a situação mas não tinha outro jeito, precisava falar, dizer alguma coisa, e, claro, teria de ser em inglês.
-- Iú nou mi, mai neim is Richard bat iu mei colmi Dick, ov corsssss
Seus olhos piscaram com exagero, fazia parte, Ana reparou que o nariz dele não era tão grande assim, como parecia nos filmes.
Ana, sorrindo – Si Dick, no me passô por la cabeza jamarte mister Gere – esticou a mão direita por cima da mesa, Richard a enlaçou com seus enormes dedos, apertou; o sistema hormonal de ambos explodiu, olhos nos olhos, fixos e quase dramáticos, por pouco não deixaram o almoço para depois. Mas, controlam-se, os garçons chegavam com os pedidos.
-- Ana es mi nombre, asi me conocem en família , en toda parte. Solamente Ana, basta!!! -- e o “solamente basta” saiu decisivo e cantado, como falam uruguaios e argentinos.
Ela sabia que se tratava de uma aventura, mas certamente episódio raro, único, muita gente duvidará, certamente.. Pouco se importa, viver o momento é o que vale, quantas mulheres gostariam de estar na situação dela? Sabia também que Richard estava a fim de curtir uma novidade, mulher que recém-conhecia, para ele um tipo quase exótico do extremo sul do continente americano. E ambos continuavam tentando a comunicação verbal, já que os braços e as mãos estavam ocupados com o almoço.
-- Adonde vives? Aqui o en Califórnia? Califórnia – acentuou, buscando um inglês compreensível, dispensável para essa palavra.
-- Oooohhh ! – balbucia Richard, abafa um arrotinho – Oooohhh! Ai liv in everi parts ov de cântrrri, ai uorc rardli, uon dei rear, anoderrrr in Calcutá, it depends ov de contracts, its clear for iu? Uere you live?
-- Si, comprendo, uorc, trabajo, si, mutchas viahens, siempre. Jo vivo en Montevidéo, trabaho, uorc, traductora francês-espanhol, soi traductora --, arrematou Ana. – Vivo em Montevidéo pero me encanta Punta del Este en el verano, samar, samar, Ok? Iu anderstand?
E aos trancos trocam palavras, cada um no seu idioma, reciprocamente desconhecidas, mas o sentido das mensagens é razoavelmente captado. Afinal, não estavam ali num esforço panamericano para o entendimento, “por supuesto”.
E o almoço termina sem sobremesa, Richard pede conhaque para os dois, a bebida sela a etapa , dali para diante outros prazeres tomariam conta do simpático casal.
Dirigem-se para os elevadores quando Richard percebe a chegada de uma velha conhecida; pede licença para Ana, no vestíbulo do restaurante cumprimenta Júlia Roberts. Ana observa atentamente, claro, preocupada, e não deu outra: Richard volta, pede muitos “sorris”, chama o elegante manobrista que estava a pouca distância (a presença de Júlia Roberts em qualquer lugar mexe com muita gente, um frisson danado), e ordena -- Please, call a cab for de lady – apontando para Ana. Mais “sorris”, a situação fica insuportável para ela, simplesmente rejeitada como uma coisa qualquer. Como de bom sangue latino, antes que Richard e Júlia desaparecessem para um canto qualquer do restaurante, diz em tom audível por todos os presentes:
-- Maricón, me cago en la leche de tu madre !!!!!! –. Alvoroço, zum-zum-zum e o elegante manobrista já a cutucava nas costas –“Mileide, de texi is ueiting ; teique dis , Mr Gere send’s for iú “ --. Era uma nota de 50 dólares.
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